Jovem de projeto social da Vila Cruzeiro viaja aos EUA para disputa da principal competição de Jiu-Jítsu do mundo

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Faixa-roxa Lucas Buarque, 18 anos, é aluno do projeto social Spartanos do Complexo, que atende a dezenas de jovens no conjunto de favelas da Penha

Morador da Vila Cruzeiro – uma das favelas mais perigosas do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro -, o faixa-roxa Lucas Buarque da Costa, de apenas 18 anos, viajou nesta semana à Califórnia, EUA, para disputar o principal campeonato de Jiu-jítsu do planeta, o Mundial da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), que acontece do dia 1 ao dia 4 de junho e reúne os principais lutadores da atualidade.

Em solo brasileiro, o aluno do projeto social Spartanos do Complexo venceu todos os torneios que disputou. O sucesso chamou a atenção de entidades, que resolveram investir em seu talento dando suporte à sua primeira competição internacional, caso da associação canadense Jiu-Jitsu For Life. Entusiasta de diversos projetos que têm a arte suave como carro-chefe, a parceria entre Legião da Boa Vontade, Super Rádio Brasil e Prime Esportes também deu um suporte nesta missão, além de patrocinar o dojô de treinamentos e fornecer quimonos.

“Estou muito feliz pela confiança de todos e ao mesmo tempo muito nervoso, porque é uma grande responsabilidade representar o meu país e o projeto social do qual faço parte num campeonato de nível mundial em outro país. É a maior responsabilidade que eu já tive que assumir, mas me sinto preparado. Tenho pensado bastante e imaginado como serão minhas lutas. Posso dizer que estou sonhando acordado”, disse Lucas, que além de ser campeão mundial, também sonha em se formar em direito. “Completei o ensino médio e pretendo ingressar na faculdade assim que retornar desta viagem aos EUA”.

Quem acompanha o jovem competidor em sua primeira viagem internacional é o seu professor e coach Anderson Luís Ribeiro, o “Boizão”, faixa-preta de Rolker e Royler Gracie desde 2004 e fundador do projeto social Spartanos do Complexo, que atende moradores da região há cinco anos.

“Nosso projeto começou em 2012, quando notei que a pacificação só trouxe a força policial para dentro das comunidades, e só isso não adiantaria para as novas gerações, então decidi dar aulas e oportunidades aos moradores, tanto crianças quanto adultos. O Jiu-jítsu tem o poder de valorizar a disciplina e fortalecer os bons hábitos e costumes, e graças a Deus vem dando tudo certo”, explicou “Boizão”.

Ainda de acordo com faixa-preta, a escolha de Lucas Buarque como representante do projeto no mundial da IBJJF não foi por acaso, e sim por méritos próprios.

“Ele entrou no projeto em 2013 e foi escolhido por ter um ótimo desempenho nos campeonatos, pois até hoje conquistou tudo o que disputou, e também por sua postura fora do tatame e pelas boas notas na escola. É um exemplo para seus colegas de treino”, explicou o professor.

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